Como criar um agente de IA no Claude: passo a passo (set/2026)

Como criar um agente de IA no Claude? Em setembro de 2026 existem dois caminhos. O primeiro fica dentro do próprio Claude, sem programar: um Projeto com instruções e arquivos de contexto, mais skills e conectores para as ferramentas da empresa. O segundo usa código: o Agent SDK, em Python ou TypeScript, ou o Claude Managed Agents, que roda o agente em infraestrutura gerenciada pela Anthropic. Para um primeiro agente de compras ou logística, o caminho sem código costuma ser o melhor ponto de partida, e é o que este passo a passo detalha.
Agente de IA é um sistema em que o modelo define os próprios passos e decide quando usar cada ferramenta, em vez de seguir um roteiro fixado antes por código. Na prática, um assistente configurado com instruções passa a funcionar como agente quando consulta ferramentas e encadeia ações para cumprir uma tarefa.
Quando vale a pena um agente, e não uma automação simples?
A própria Anthropic recomenda começar pelo mais simples. Em Building effective agents, ela separa fluxos, em que o caminho é definido por código, de agentes, em que o modelo dirige o próprio processo, e afirma que muitas aplicações funcionam bem com uma única chamada ao modelo bem instruída. Agentes servem a problemas abertos, em que os passos não podem ser previstos de antemão, e cobram mais custo e o risco de um erro se acumular ao longo das etapas.
Se o processo tem passos fixos e regras claras, como enviar um relatório todo dia às 8h, uma automação tradicional resolve com menos risco. O agente compensa quando a entrada varia, como cotações em formatos diferentes, e a escolha da ferramenta depende do conteúdo que chegou.
Qual é o passo a passo para montar o agente no Claude?
Os passos abaixo seguem as páginas de suporte da Anthropic consultadas em setembro de 2026. Nomes de menu e limites por plano mudam com frequência, então confirme nos links de cada etapa.
- Defina uma tarefa e o limite dela: escreva em uma frase o que o agente faz, quais entradas recebe, o que entrega e o que ele nunca faz sozinho, como emitir pedido ou alterar cadastro.
- Crie um Projeto e escreva as instruções: em Projetos, você registra instruções que valem para todas as conversas do projeto e sobe documentos como base de conhecimento. Descreva o papel, as regras, o formato da resposta e quando escalar para uma pessoa.
- Suba os arquivos de contexto: tabela de alçadas, lista de fornecedores homologados, histórico de preços, dicionário de indicadores. Nos planos pagos, o conhecimento ampliado com RAG aumenta a capacidade do projeto. Envie só o que a tarefa exige.
- Adicione uma skill para a rotina que se repete: a skill é uma pasta com instruções, scripts e recursos que o Claude carrega quando a tarefa pede. Segundo a Anthropic, primeiro entra só uma descrição curta, depois as instruções completas e, por fim, os arquivos sob demanda. Para criar, empacote a pasta em ZIP e envie em Customize > Skills, com a execução de código habilitada.
- Conecte as ferramentas por conectores e MCP: os conectores personalizados ligam o Claude a servidores MCP remotos, padrão explicado em O que é MCP e como conectá-lo ao Power BI Desktop. A autenticação costuma ser por OAuth e, em Team e Enterprise, só os proprietários da organização adicionam conectores personalizados.
- Teste com casos reais e casos de borda: rode de 10 a 20 exemplos, incluindo os que deveriam ser escalados, e compare com o resultado que quem conhece o processo esperava.
- Libere em etapas: comece só com leitura e recomendação. Ações que alteram dados entram depois, com aprovação a cada uso.
Na etapa das ferramentas, o Claude permite exigir aprovação antes de cada uso e desativar ferramentas específicas. A Anthropic reserva a opção de permitir sempre para servidores confiáveis.
Como ficam as instruções de um agente de conferência de cotações?
Um exemplo montado só para este artigo, sem dado de cliente: um Projeto chamado Conferência de cotações, para um time de compras que recebe propostas em PDF e planilha. Os arquivos do projeto são a tabela de alçadas, a lista de fornecedores homologados e o histórico de preço por item, e o limite de 10% de desvio é um valor hipotético. As instruções poderiam começar assim:
Você apoia o time de compras na conferência de cotações.
Para cada cotação recebida:
1. Extraia item, quantidade, preço unitário, prazo e condição de pagamento.
2. Compare o preço com o arquivo historico-precos.
3. Se o desvio passar de 10%, marque como divergência e mostre a conta.
4. Se o fornecedor não estiver na lista de homologados, pare e peça revisão.
5. Se o valor total passar da alçada, pare e peça aprovação.
Nunca emita pedido nem altere cadastro. Se faltar dado, pergunte.
Responda em tabela: item, preço cotado, preço histórico, desvio e status.Boa parte do texto descreve quando parar. É essa parte que evita um agente que decide sozinho o que não deveria, e o critério de alçada e de fornecedor novo é o mesmo discutido em Agentes de IA no setor de compras: o que automatizar e quando exigir aprovação humana. Como esse Projeto só lê arquivos e não tem conector de escrita, o pedido continua nas mãos de uma pessoa.
Quando é preciso ir além do app do Claude?
Quando o agente precisa rodar sem ninguém abrir o chat, por exemplo lendo a caixa de cotações a cada hora, ou ser embutido em um sistema próprio, entra o caminho com código. O Agent SDK é uma biblioteca em Python e TypeScript que traz as mesmas ferramentas e o mesmo ciclo de agente do Claude Code, com controle de permissões, hooks, subagentes e MCP.
O Claude Managed Agents está em beta em setembro de 2026. Nele, o agente (modelo, instruções, ferramentas, servidores MCP e skills) roda em um ambiente gerenciado, com sessões longas e execução agendada. Como ele guarda o estado da sessão no servidor, a documentação informa que hoje não é elegível para Zero Data Retention nem para o BAA da HIPAA, um ponto a pesar antes de usá-lo com dados sensíveis. Os dois caminhos pedem um time técnico, e é por eles que o agente costuma chegar ao ERP.
Que cuidados tomar antes de liberar o agente?
- Permissões: dê ao agente só o acesso de que a tarefa precisa. A Anthropic alerta que um servidor MCP pode ler, criar, alterar ou apagar dados no aplicativo conectado, então conecte apenas servidores confiáveis e mantenha a aprovação antes de ações de escrita.
- Revisão humana: defina pontos de parada para valor acima da alçada, fornecedor novo e exceção contratual. A Anthropic também recomenda testes extensivos em ambiente isolado e supervisão humana em decisões de alto risco.
- Dados sensíveis: o que pode ir para o Claude depende do plano contratado e dos termos vigentes. Comparamos planos pessoais e corporativos em As 5 melhores IAs de 2026. Dados pessoais pedem validação do jurídico ou do encarregado de dados (DPO), e este artigo não é aconselhamento jurídico.
- Skills de terceiros: a Anthropic orienta instalar apenas de fontes confiáveis e revisar os arquivos incluídos, com atenção a dependências e conexões de rede, porque os riscos principais são injeção de prompt e vazamento de dados.
- Responsável e registro de uso: um dono para o agente e um histórico do que ele consultou e decidiu, para reconstruir qualquer resposta depois.
Este texto reflete a documentação oficial de setembro de 2026. Recursos, planos e menus do Claude mudam, então vale conferir as páginas citadas antes de montar o seu.
O passo a passo termina onde o agente precisa de dados reais: ler pedidos, saldos e fornecedores do ERP, com permissão por usuário e registro de cada consulta. Nesse ponto, montar o Projeto deixa de ser o trabalho principal e passam a pesar a integração, a governança e a revisão. Avaliar se um agente é viável para os seus processos e como ligá-lo ao ERP é o que fazemos no diagnóstico gratuito da Insight Pro, dentro do serviço de Inteligência Artificial: mapeamos o processo, os sistemas e os riscos e entregamos uma avaliação de viabilidade, para você decidir o próximo passo com esse material em mãos.
