Simulador de CBS e IBS no Power BI: impacto na margem e no preço de compra

Um simulador de CBS e IBS no Power BI é um modelo que lê as notas de compra e de venda do ERP, tira o PIS e a Cofins de hoje, aplica a CBS e o IBS com a alíquota que você escolher e recalcula, produto a produto, o custo líquido de crédito, o preço necessário e a margem. Como a alíquota de 2027 ainda não foi fixada, ele não entrega um número único: mostra lado a lado o que acontece com a margem em 9%, 11% ou 11,3% e aponta quais produtos, clientes e fornecedores mudam de posição em cada cenário. Com isso, controladoria e compras conseguem decidir preço e repasse antes de janeiro, e não depois do primeiro fechamento.
Simulador de CBS e IBS é um modelo de BI que aplica as regras da reforma tributária ao histórico real de compras e vendas da empresa, com alíquota, regime dos fornecedores e política de repasse tratados como parâmetros ajustáveis. Ele não apura tributo. Serve para comparar cenários de preço, custo e margem enquanto as regras definitivas não saem.
Por que simular agora, se a alíquota ainda não está definida?
Justamente por isso. Em 28 de outubro de 2026, o TCU calculou a alíquota de referência da CBS para 2027 em 11,3%, e, segundo a Agência Senado, o Senado tem até 22 de dezembro para fixar o valor por resolução. Se não houver resolução, vale o número do TCU. O relator do tema na Comissão de Assuntos Econômicos já disse considerar a taxa elevada e falou em uma alíquota de até 9%, conforme reportagem do Jornal do Comércio. Dois pontos percentuais de diferença mudam a margem de toda linha vendida ao consumidor final, e a tabela de preços de janeiro precisa sair em dezembro. Quem espera o número oficial para começar as contas acaba reprecificando às pressas.
O cronograma da Lei Complementar 214/2025, consultada em novembro de 2026, ajuda a definir o escopo. Em 2027 e 2028, o PIS e a Cofins deixam de existir, a CBS entra cheia e o IBS fica em 0,1% (0,05% estadual e 0,05% municipal). ICMS e ISS só começam a cair em 2029. Por isso, o primeiro simulador pode se concentrar na troca de PIS e Cofins pela CBS, mantendo o ICMS como está hoje, e incorporar o IBS conforme a transição avança. O panorama da mudança na área de compras está em o que muda com a CBS em 2027.
Que dados o simulador precisa?
- Notas de entrada: 12 meses de compras por item e fornecedor, com valor, PIS e Cofins e o regime de cada fornecedor (regime regular, Simples com IBS e CBS no DAS ou Simples com opção pelo regime regular).
- Notas de saída: vendas por item e cliente, separando quem toma crédito (empresas no regime regular) de quem não toma (consumidor final e empresas do Simples que mantêm os tributos no DAS).
- Cadastro fiscal dos itens: NCM e tratamento previsto para cada produto (alíquota cheia, redução de 60% ou zero). Com cadastro errado, o simulador erra em escala, como mostramos em NCM e classificação tributária com CBS e IBS.
- Regime da própria empresa: lucro real ou presumido muda o ponto de partida, porque hoje um credita PIS e Cofins e o outro não.
- Política comercial: preço de tabela, descontos e quanto a empresa pretende repassar ao preço em cada canal.
Como montar o simulador no Power BI?
- Separar o tributo antigo do preço: cada linha de compra e de venda ganha o valor sem PIS e Cofins. É sobre essa base que a CBS vai incidir, por fora do preço.
- Criar os parâmetros: com os parâmetros de teste de hipóteses (what-if) do Power BI Desktop, crie um controle para a alíquota da CBS e outro para o percentual de repasse ao preço. Se a empresa compra muito do Simples, um terceiro para a parcela de crédito desses fornecedores. Ao mover o controle, o relatório inteiro recalcula.
- Escrever as medidas: custo líquido de crédito, receita sem tributo e margem, sempre lendo os parâmetros (veja o exemplo abaixo).
- Fixar cenários de referência: além do controle livre, deixe três cenários fixos em uma tabela, por exemplo 9%, 11% e 11,3%, para a diretoria comparar lado a lado sem mexer em nada.
- Montar as visões de decisão: margem por produto, cliente e canal, ranking de fornecedores por custo líquido e a lista de itens cuja margem fica abaixo do mínimo em algum cenário.
- Atualizar quando a regra sair: com a alíquota publicada, o cenário oficial vira o padrão e os demais ficam para comparação.
Uma medida de margem simulada pode seguir a estrutura abaixo. Os nomes de tabelas e colunas são ilustrativos. Fator Aliquota vale 1 para alíquota cheia, 0,4 para redução de 60% e 0 para alíquota zero. Repasse 0 significa manter o preço final ao cliente, e Repasse 1, preservar a receita sem tributo de hoje. Para o cliente que toma crédito, a CBS entra por fora e a receita sem tributo não muda.
Margem Simulada =
VAR Aliquota = [Aliquota CBS Valor]
VAR Repasse = [Repasse Valor]
RETURN
SUMX (
Vendas,
VAR Taxa = Aliquota * RELATED ( Produto[Fator Aliquota] )
VAR SemTributo = Vendas[Valor Sem PIS Cofins]
VAR PrecoMantido = Vendas[Valor Total] / ( 1 + Taxa )
VAR Receita =
IF (
RELATED ( Cliente[Toma Credito] ),
SemTributo,
SemTributo * Repasse + PrecoMantido * ( 1 - Repasse )
)
RETURN Receita - Vendas[Custo Liquido]
)Como a margem muda em um exemplo?
Os valores a seguir são hipotéticos, escolhidos para deixar a conta fácil de acompanhar, e não vêm de nenhuma empresa atendida. Uma empresa do lucro real vende um item ao consumidor final por R$ 100 e o compra por R$ 60. Hoje, com PIS e Cofins de 9,25%, a receita sem esses tributos é R$ 90,75, o custo depois do crédito é R$ 54,45 e a margem bruta é R$ 36,30. Para 2027, a premissa é que o fornecedor mantém o valor sem tributo de R$ 54,45 e destaca a CBS por fora, que volta inteira como crédito. ICMS, IBS e o ajuste de 0,1 ponto previsto na lei para 2027 ficam fora da conta.
Se a empresa mantiver os R$ 100 no preço final, a CBS passa a sair de dentro desse valor:
- CBS de 9%: receita sem tributo de R$ 91,74 e margem de R$ 37,29, quase R$ 1 acima da atual.
- CBS de 11%: receita de R$ 90,09 e margem de R$ 35,64, R$ 0,66 abaixo.
- CBS de 11,3%: receita de R$ 89,85 e margem de R$ 35,40, R$ 0,90 abaixo, ou 2,5% da margem de hoje.
Nesse item, o ponto de equilíbrio fica perto de 10,2%: abaixo disso, manter o preço melhora a margem, e acima, piora. Em uma linha que fatura R$ 10 milhões por ano no varejo, a distância entre o cenário de 9% e o de 11,3% chega a cerca de R$ 190 mil de margem. Para preservar os R$ 36,30 com CBS de 11,3%, o preço final teria de subir para cerca de R$ 101.
Agora troque o cliente. Se o mesmo item for vendido a uma empresa do regime regular, ela recupera a CBS como crédito, e o vendedor pode manter os R$ 90,75 sem tributo e destacar a CBS por fora sem encarecer a compra do cliente. A margem fica igual em qualquer alíquota. A reforma afeta de forma diferente a venda ao consumidor e a venda entre empresas, e por isso o simulador precisa separar os clientes conforme tomam ou não crédito.
O que o simulador mostra do lado das compras?
Para quem está no regime regular, a CBS destacada pelo fornecedor volta como crédito, e o regime de quem vende pesa mais do que a alíquota. O ponto sensível é o fornecedor do Simples Nacional que mantém IBS e CBS no DAS: ele transfere só o crédito equivalente ao que pagou no Simples, e o custo líquido pode subir com a nota igual. O simulador mostra quanto do gasto está nesses fornecedores, por categoria, e calcula o preço máximo que vale pagar a cada um, com a fórmula detalhada em crédito de CBS e IBS: fornecedor do Simples ou do regime regular. Na empresa do lucro presumido, que hoje não credita PIS e Cofins, o efeito tende a ser o inverso em boa parte das compras, porque o crédito amplo da CBS reduz o custo líquido, desde que o fornecedor não aumente o preço sem tributo.
Quais cuidados evitam que o simulador engane?
- Alíquota é premissa, não dado: mostre em todas as páginas qual cenário está selecionado e a data da última revisão das regras. Um print com 9% circulando como se fosse o número oficial é o erro mais comum.
- O fornecedor também vai reprecificar: manter o valor sem tributo é só uma hipótese. O modelo deve permitir testar reajustes na compra, por categoria ou fornecedor.
- Cadastro fiscal decide o resultado: um item com redução de 60% cadastrado com alíquota cheia distorce preço e margem na mesma proporção.
- ICMS, ISS e regimes específicos: seguem regras próprias durante a transição e devem entrar com orientação do contador quando pesarem na linha de produto.
- Simulação não é apuração: o modelo serve para decidir preço, repasse e fornecedor. Escrituração e recolhimento continuam no ERP e com a área fiscal.
O mesmo modelo de dados costuma servir de base para o DRE gerencial no Power BI. Com receita, tributo e custo separados, a projeção de resultado para 2027 vira uma extensão do simulador, e não um projeto à parte.
Se a sua empresa precisa fechar a tabela de preços de janeiro sem conhecer a alíquota final, peça uma simulação com os dados da sua empresa. No diagnóstico gratuito da Insight Pro, dentro do serviço de Business Intelligence, usamos uma amostra das suas notas de compra e de venda para mostrar o efeito da CBS na margem por produto, cliente e fornecedor em três cenários de alíquota e indicamos as linhas que pedem revisão de preço primeiro. Os enquadramentos fiscais seguem com o seu contador, e a nossa parte é colocar as regras em números que a diretoria consiga comparar.
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